aprender a pedir desculpas: para o irreparável

É sempre difícil ouvir verdades que ferem. Pior ainda se vierem da pessoa mais importante da sua vida. No meu caso, uma delas – dita algumas vezes – foi que eu não sabia pedir desculpas. Ficava ali, entalado na minha garganta e eu não conseguia simplesmente dizer “desculpe, eu errei”.

Provavelmente uma defesa para não me sentir diminuída – o que não teria acontecido. Eu estaria apenas corrigindo algo de errado em mim e deixando aliviada a pessoa que, mesmo sabendo que desculpas não mudam o que já aconteceu, vê que existe em você um senso de equilíbrio, de razão, e perdoa.

Hoje, mesmo tendo que passar por várias situações dolorosas [pra dizer o mínimo], sei que pedir desculpas é muito mais fácil e, melhor que isso, mais libertador do que jamais imaginei. Claro que, além das desculpas, você tem de se concentrar em não errar. E que algumas vezes o erro é irreparável. Você pode pedir desculpas, mas não sabe se elas serão aceitas, se seus motivos [se eles existirem] serão compreendidos, se a mágoa será esquecida no futuro.

Até aqui, acho que a mensagem é válida para zilhões de pessoas… Não costumo usar o blog para falar de acontecimentos de minha vida. Ele é minha fonte de expressão, sobre o que acontece no mundo e que eu gostaria de comentar, deixar minha opinião. Hoje, quebro essa regra [um pouquinho, já que o início do post serve para praticamente todo mundo]. Talvez até seja um bom conselho ou se torne, de repente, um aviso para alguém que possa um dia passar por isso. Quem sabe?

Quando escrevi meu livro, assim como sei que ajudei muitas pessoas a compreender uma situação difícil, magoei a outras tantas pessoas - mesmo tendo sido extremamente respeitosa na maneira de tratar o tema. Naquele momento, quando você realiza o sonho de ver um trabalho seu publicado, sua vontade é ajudar o maior número de pessoas e para isso é preciso divulgar.

E aí fiz meu pior erro. A última grande matéria sobre a história do livro foi publicada em uma grande revista. Os resultados para mim, comercialmente, foram mínimos. Mas para algumas pessoas, muito próximas, queridas, que não mereciam, foi ferino e triste. Trouxe de volta, tanto tempo depois, a parte ruim da minha história, que não era o que eu queria.

Depois de muito tempo e de várias mudanças internas, pedi perdão às pessoas que eu poderia ou teria como pedir. Neste momento gostaria de pedir também àquelas que não seria possível me aproximar e falar: “desculpe-me, por favor, eu errei”.

“Desculpem-me, por favor, eu errei.”

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