mas… e a onça???

A resposta para essa pergunta [que apesar de ser engraçadíssima, infelizmente é impublicável, pelo menos aqui no blog] me fez dar mais risadas em dois dias do que dei em um bom tempo. Não somente ela, mas vários outros momentos deliciosos que passei neste fim-de-semana pra lá de diferente na charmosa cidade mineira de Poços de Caldas. Não que o diferente aqui seja algo pejorativo, mas simplesmente é novidade.

O novo normalmente assusta. Ele traz com ele as expectativas – essas danadas – que nos fazem ficar pensando: “e se for assim?”, “e se acontecer assado?”. Tiram o nosso sono e, no final, muito pouco acaba acontecendo exatamente como esperamos ou tememos. Minha viagem foi muito melhor, mais divertida e prazerosa do que eu poderia imaginar. Talvez [e acredito que esse seja o grande "segredo"] porque eu não tenha pensado no que ela me reservava, apenas pedido em minhas conversas com aquela energia forte – que costumamos chamar Deus, Buda, Alá ou qualquer outro nome criado pelos homens - que a história fosse escrita de uma maneira em que todos ficassem bem, fossem felizes. Porque eu queria muito continuar me sentindo dessa forma.

Um dos principais motivos do estômago apertado era que, além de estar indo a um lugar onde eu nunca havia estado, fiz isso com alguém de quem gosto e estou começando a conhecer de verdade. Sabe aquele frio na barriga ao mesmo tempo gostoso e inquietante? Aquele que nos faz sentir vivos, mas também nos coloca andando em uma corda bamba sem rede de proteção embaixo? Pois é…

A surpresa não poderia ter sido mais agradável: um par de dias [isso tá parecendo vocabulário mineiro, por que será, uai???...] passeando por lugares agradáveis, charmosos, e colocando na agenda pessoas a quem adorei ser apresentada. Mais: pessoas com as quais passei momentos inesquecíveis da mais pura alegria, rindo como criança. Foi sensacional.

Viver o hoje é a regra. Se abrir para o novo, tentando apenas torcer, ficar na arquibancada da esperança, não na da pré-ocupação. Transformei isso em um mantra sagrado para mim. Agora é o que interessa. O passado não pode mais nada, o futuro ainda nem se sabe se vai poder. A grande aposta deve ser no presente, nas suas escolhas e ações deste momento. São elas que irão determinar o caminho.

Claro que nunca vamos conseguir não sonhar. Sonhos nada mais são do que boas expectativas – como disse Blaise Pascal: “O homem tem ilusões, como o pássaro tem asas. É isso que o sustenta”. Mas podemos fazer isso diminuindo a “taxa de risco” [aproveitando o jargão das épocas de crise mundial]. Andar com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Para ser feliz.

Hoje, deixe-me | sozinho | ser feliz, | com todos ou sem todos, | ser feliz | com a grama | e a areia, | ser feliz | com o ar e a terra, |ser feliz | com você, com sua boca, | ser feliz.

[Pablo Neruda]

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