final feliz | por lusa silvestre
Outro dia fui conversar com duas amigas solteiras, lindas como cachos de ametistas e no auge da forma física e cerebral. Elas me pareciam azedas, e eu quis saber o que acontecia. Pra quê? Começaram a me bombardear com estatísticas e paúras: que estavam solteiras, que tinham abandonado o sonho de ter filho aos 30, que os homens estavam podendo escolher quem quisessem – e ainda fazendo vários test-drive por noite para decidir com mais base. Ouvindo tanta desesperança, se fosse solteira, ia dali direto a um convento, renegando sexo, chocolate e até promoções na Sarah Chofakian. Gente, não é nada disso!
Primeiro: vamos parar com essa história de que o poder está com os homens. Desde o primeiro sapiens, basta uma balançada de cabelo e uma lufada de xampu para cem mil corações masculinos enfartarem. Quem se desesperou primeiro, Romeu ou Julieta? Então: Romeu. Quem arrancou Inês da tumba e fez a corte inteira sair beijando mãos putrefatas? Rei Pedro. Quem abdicou do trono da Inglaterra para ficar com a Senhora Simpson? Duque de Windsor. Então, percebam: é o homem que estáaos seus pés, não o contrário. A gente precisa de vocês como queijo branco da goiabada. Se na balada parece ser diferente, é mero soluço da história. No fim da noite, os homens vão sempre voltar às suas Helenas, como sempre foi e como Chico Buarque falou. E quando ele fala, a gente concorda, porque, gente, é o Chico!
Claro, há sugestões importantes. Ansiedade, por exemplo: será que ele vai ligar? Pode demorar, mas liga. E quanto mais indiferente à demora você estiver, maior o tombo dele. Demorou uma semana? Em vez do óbvio, que é ser fria e bravinha no primeiro alô e totalmente dada no tchau, seja simpática do começo ao fim. E coloque o cara na geladeira, mas sem deixar de dar corda. Hummm, ele vai surtar. Outra coisa também ligada à ansiedade é querer achar o cara ideal. E existe cara ideal? Necas. Todo homem corta a unha na sala, assiste futebol de sandália, deixa a toalha molhada na cama e fica com o olhar perdido pensando em outro assunto enquanto você fala. Sem ansiedade, sem pressa. E daí que você está nos 30? Atualmente, com a ciência ajudando, a mulher fica linda muito mais tempo. Se Balzac fosse escrever hoje, mudaria a idade-padrão da balzaquiana de 30 para 50. Maturidade não é defeito.
E, falando nisso, celulite e estria também não são. Gisele Bündchen tem. Scarlett Johansson também. Dizem até que Cleópatra tinha. Homem só nota celulite em duas ocasiões: quando sai celebridade de maiô na revista de fofoca e quando vocês fazem questão de dizer que celulite é um horror. O que afasta o homem não é a celulite, os 30 anos, o emprego melhor: é a mulher chata, aquela que não se dá bem com os amigos, que reclama, que faz o cara desmarcar o futebol para ir com ela ao chá de bebê, essas coisas. Aliás, se você quiser desbancar a concorrência da noite, basta ser legal. O homem pode até desejar a mais gostosa, mas sempre fica com a legal.
Na hora de conversar sobre um filme recém-assistido, de pedir colinho porque a vida está dura, de chorar as pitangas de um trabalho perdido, queremos uma mulher que ouça, que seja gente boa, da qual nossos amigos gostem, que suporte a nossa família, que tome cerveja, que rache a conta e que ande de Celta 1.0 como se fosse Mercedes. Sim, massagem no pé ajuda também. Mas, seja esperta: só depois de casar.
Lusa Silvestre é publicitário, autor do livro “Pólvora, gorgonzola e alecrim” e roteirista do premiado filme “Estômago”. A coluna aqui replicada foi publicada na revista Época e me chamou a atenção por sua intimidade com o universo do sempre misterioso comportamento masculino. Espero que possa ajudar às mulheres que passarem pelo blog, acrescentando informações importantes no quesito ser feliz.
2 Comments to “final feliz | por lusa silvestre”
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By Elis Pedroso, 04/05/2009 @ 3:18 PM
Ameiiiiiiiiii o texto!!!!
Inclusive fiz uma coisa muito feia: arranquei a página da revista no salão de beleza, rs.
Bjs
By momarch, 04/05/2009 @ 7:28 PM
Olá, Elis! tenho certeza de que você, eu e todas as leitoras fãs dos textos do Lusa seremos perdoadas por pecados menores como esse…
A verdade é que o blog é meu, mas – assim como você – amo os textos do Lusa [esse que publiquei em especial] e tento dividir com quem passa por aqui. Mesma coisa com os trabalhos da Martha Medeiros, que também são o máximo.
Bj gde!