quando todos queremos ser jody foster
No mundo injusto em que se vive hoje, quando aparece uma personagem que providencia um pouco de equilíbrio nessa equação de medo e violência, ela vira uma unanimidade. Se o rosto na telona é da menina-prodígio Jody Foster [que, tudo bem, não tem mais quase nada de menina a não ser o tamanho mini...] nem se fala.
É o que acontece em Valente, o último longa da atriz a chegar aqui em terras brasileiras. Confesso que não vi no cinema e sim na tevê, por acidente, em uma noite de preguiça homérica. Levando-se em conta a programação cada dia pior das empresas de transmissão a cabo, fui surpreendida.
A história nem é lá tão original, mas é bom poder ver, pelo menos em filme, sendo feita justiça. Ah, sei que tem toda aquela história de “direitos humanos” e sou a favor de todas as regras que ditam que as pessoas são inocentes até prova em contrário. Mas, vamos combinar, quando você sabe que a pessoa fez uma atrocidade, que tirou de você alguém que você amava e que, provavelmente, fará isso – por puro prazer de oferecer violência gratuita – com outras pessoas no futuro, não há como não incorporar a personagem de Jody no filme. Eu não teria feito diferente, digo de coração.
Não estou fazendo apologia ao homicídio, para que se saia matando à torto e à direito – uma coisa meio “paredão chinês”, mas as cenas mostradas no filme não deixam dúvidas quanto à sua maldade implícita. Como não reagir daquela maneira? Como não querer melhorar o mundo apagando [com o perdão do trocadilho], párias da sociedade que mal entendem o que é justiça, bondade ou qualquer coisa positiva do gênero?
É basicamente [mais] um grito de alerta que fica aqui no blog, para que se possa pensar sobre o assunto, para que ele não “morra” por aí, sem esperanças de resgate…
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