o país da bola precisa aprender a jogar junto

Outro dia estava conversando com minha irmã e meu cunhado sobre o reinado do futebol nas terras brasileiras, que ultrapassou todas as fronteiras nacionais e tomou conta até da língua pátria. São tantos os exemplos que ficamos durante minutos enumerando as expressões que já são parte do nosso vocabulário: “pisou na bola”, “bola dentro”, “está com a bola murcha”, “não dá bola”, “a bola da vez” etc. etc. etc.

A verdade é que esse esporte que move multidões em todo o mundo entrou no sangue daqueles que nascem por aqui – é praticamente hereditário esse amor sem muita explicação que se sente quando a redonda está rolando pelos gramados verdes. Até eu, que não sou muito fã do esporte, me emociono ao ver a vibração inconteste das torcidas nos estádios. É pura energia. Faz arrepiar, lágrimas sobem aos olhos, se perde a noção do tempo e tudo vira um único grito de felicidade.

Hoje os corinthianos comemoram a conquista de mais um Campeonato Paulista de Futebol. O título de 2009 vai para os anais deste clube tão tradicional que estava deixando a sua fiel torcida à beira de um ataque de nervos depois de fazer uma rápida passagem pela segunda divisão. Louros merecidos a Ronaldo, o fenômeno, que chegou trazendo esperança, mas – muito mais do que isso – um talento que, em boa parte, transformou os ânimos do time e de seus seguidores.

Triste é apenas a reação exagerada da rivalidade que não deixa que as estruturas do esporte melhorem no país como um todo. Numa recente discussão em fórum sobre a realização da Copa de 2014 no Brasil [não por mérito, mas por simples atendimento ao rodízio de continentes hoje aposentado pela FIFA], o que se pode apreender é que, se fosse possível deixar de lado as rivalidades entre os times fora do campo, o futebol teria o poder de transformar sua estrutura e trazer mais beleza e prosperidade a todos os envolvidos em seu show democrático.

Como modificar isso e colocar o mais famoso esporte brasileiro no pódio? Boa pergunta. Nem mesmo os especialistas no assunto souberam responder. A falta de visão do torcedor brasileiro, que ainda enxerga somente pelo buraco da fechadura de seu próprio umbigo, não consegue conceber o “dar as mãos” por um futuro mais promissor na área. Fica, então, apenas a torcida para que daqui a cinco anos o país não se transforme em um grande canteiro de obras de estádios concebidos e construídos sem planejamento estratégico. Ou – pior, alvo da chacota mundial por ser ao mesmo tempo o berço de vários dos maiores talentos da bola, porém um perdedor na hora de unir forças e vencer as brigas infrutíferas do esporte. Uma tremenda “bola fora”.

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