fiéis companheiros de pêlos: adote um!

O final de semana está premiado com um tanto de eventos em homenagem aos animais. Isso porque no domingo, 4, é comemorado o Dia Internacional dos Animais e – com total razão – também o de seu santo protetor, o simpático São Francisco de Assis.

 Sou uma fã doente dos animais [tudo bem, os cachorros mais do que os outros, no ofense] e defensora de seu bem-estar. Já adotei minha querida Vida, ajudei outros tantos a encontrar uma casa, castrei, alimentei. Sou a chata que fala sobre a importância de castrar animais adotados que viverão em contato com outros animais [leia mais abaixo]. Faz parte da vida de quem quer ver mudar a situação que se observa hoje.

Admiro aqueles que fazem o que podem com o que dispõem. É da unidade da Livraria Nobel de Moema [Avenida Pavão, 451, entre as ruas Inhambu e Canário]. Apoiada por Cláudia, a dona da loja, a filha Patrícia organiza há alguns meses uma feira de adoção que mobiliza todo o bairro e já tem como saldo casa nova para mais de uma dezena de cachorrinhos de raça não definida abandonados – muitos deles já adultos. A parceria é com ONG Voz Animal, que recolhe os animais, trata e castra antes de colocá-los em casas de “donos provisórios” – onde estarão abrigados até que um lar definitivo os receba.

Neste sábado, dia 3 de outubro, o evento acontece das 10h às 17h e promete confirmar o sucesso deste tipo de ação quando bem orientada. Para ser candidato à adoção dos bichinhos é preciso levar CPF e comprovante de residência [pois o pessoal costuma verificar que tipo de condição está dando o novo dono ao animal].

Um detalhe importante, que inclusive eu mesma descobri ao adotar a Vida [que já era adulta], é que existem inúmeras vantagens em escolher um animalzinho já crescido, ou seja, que não é mais filhote. Eles são mais tranquilos, não latem tanto, não choram à noite e as chances de que destruam os móveis, chinelos, roupas, papel higiênico ou qualquer outra coisa pela casa são pequenas. Além disso, por já ter passado um tempo da vida sozinhos, são mais independentes [o que permite ausências do dono para trabalhar, por exemplo] e obedecem com mais facilidade aos ensinamentos – incluindo fazer as necessidades no local adequado. Se adaptam rapidamente ao novo lar e às pessoas que vivem ali e são eternamente gratos porque os escolhemos – ou porque eles nos escolheram e nós aceitamos o seu “pedido”. É uma coisa meio mágica. Daquelas que não dá pra explicar direito falando, tem de viver mesmo.

Seja um dono responsável

Um dos maiores sucessos da propaganda dos últimos tempos é a simpática e emocionante campanha da Pedigree, marca de produtos alimentares para animais de estimação, “adotar é tudo de bom”. Começou com “cachorro é tudo de bom”, coquistou o público e virou um projeto super legal de incentivo à adoção de cachorros [principalmente] e gatos e – tão importante  quanto – a compreensão do papel de dono responsável.

Posse responsável é coisa séria. Além de entristecer àqueles que amam os animais, as cenas de cachorros abandonados pelas ruas das grandes cidades também colabora [e muito] para a disseminação de doenças, transformando-se em um dos mais graves problemas de saúde pública. Infelizmente, muito poucos entendem assim, para desespero dos animais e daqueles que gostariam de vê-los desenvolver seu melhor papel: o de melhor companheiro, fiel escudeiro, amigo que não mede seu amor por convenções cotidianas ou aceites sociais. Não à toa, o sentimento tão louvável virou expressão sinônima: fidelidade canina.

Por isso, quando se adota um animal é preciso pensar muito antes, porque se assume uma responsabilidade para com um ser vivo que dependerá exclusivamente de você. Tem o básico: água fresca todo dia, uma área limpa e protegida para ficar e dormir, ração adequada de boa qualidade, vacinas todos os anos, levar para tomar banho e, em alguns casos, tosar o pêlo regularmente, além de ficar atento para o aparecimento de pulgas, carrapatos, prevenindo que uma infestação comprometa a saúde do animal e das pessoas da casa.

Mas existem fatos que muitas pessoas parecem ignorar quando compram ou adotam um animal de estimação: eles ficam velhos como nós e precisam cada dia de mais assistência – exames, tratamentos especiais com medicamentos, consultas veterinárias. Prever isso é essencial, pois não é justo [e isso acontece muito, acredite] que depois de anos ao seu lado, sendo um amigo fiel e companheiro, se abandone o bichinho doente para morrer em algum lugar ou se “esqueça” dele sem se importar com o sofrimento daquele que o ama de maneira incondicional – para ele nunca importou sua condição social, a forma como se veste, se é gordo, magro, bonito ou feio. Ele só quer o seu carinho e, pode ter certeza, vai devolver em dobro tudo aquilo tiver de você.

yom kipur: a beleza da celebração judaica

As comemorações do Yom Kipur – o feriado judaico que celebra o perdão e que, para mim, é um dos mais bonitos do mundo – começaram ontem, com o jejum de 25 horas, e se estendem pelo dia de hoje.

Muita gente que não entende a profundidade presente nos atos simbólicos dos judeus durante essa celebração ou não conhece sua origem, vê as proibições impostas pelo ritual – como não comer, não ter relações sexuais, não passar desodorantes, perfumes ou tomar banhos por prazer –  apenas como autoprovação, como martírio. Injustiça com a beleza implícita nesse ato de fé.

O objetivo de se proibir tais atos é exatamente afligir o corpo – voltando-se a atenção totalmente à alma. O povo judaico acredita que o ser humano é constituído pelo yetzer hatóv [desejo de fazer as coisas corretamente, a alma]  e o yetzer hará [ desejo de seguir os próprios instintos, o corpo]. Nosso desafio na vida é sincronizar o segundo com o primeiro. O Talmud faz uma analogia sobre isso entre cavalo [corpo] e cavaleiro [alma]: “É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo”.

Na verdade, o Yom Kipur é o fechamento de um processo longo, pois é sensato pensar que não é possível se arrepender realmente em pouco mais de um dia. As pessoas cometem muitos erros [voluntários ou não] em um ano e para que se “retorne ao bem” – tradução literal da teshuvá,  nome do processo de arrependimento – se reserva todo o último mês do ano judeu, o Elul, segundo a tradição.

É durante o Elul que as pessoas se preparam para a reflexão profunda que leva até o caminho interior, da alma. Para lembrar a todos, pela manhã logo cedo, o shofar [instrumento de sopro considerado sagrado pelos judeus] chama o povo para esse despertar. E, acordar, aqui, tem um significado muito maior do que sair da cama para iniciar o dia. O toque do shofar é um mandamento da Torá – o livro sagrado – e como preceito da fé judaica deve ser precedido de uma bênção especial, em agradecimento a D’us. É um preparo, um chamado, para que os atos não sejam realizados apenas pela força do hábito, mas de forma consciente, conhecendo seu significado e a quem se responderá por eles.

Uma semana antes de Rosh Hashaná – o ano novo judeu – também na madrugada se iniciam orações, chamadas selichot [perdões]. O dia 1 de Tishrei é a grande data – a base para um novo ano de vida – que é seguido de outros nove dias – até o Yom Kipur. Dez dias para seguir em direção a sua alma, ao seu mais profundo eu, afastando o mal e caminhando para o bem.

Kipur, na raiz da língua hebraica, se refere ao “que cobre”, o castigo que envolve o ato perverso ou incorreto. É impossível apagar aquilo que já aconteceu, assim a única maneira de superá-lo é a modificação da conduta pessoal depois que ele já aconteceu. “Deus pode apagar o castigo, não o ato”. Traduzindo, o que se fez, continua com você e as consequências sob sua responsabilidade.

O interessante é que as más ações têm, efetivamente, duas categorias: do homem em relação ao próprio homem e do homem em relação a Deus. A primeira traz a vida diária, do cotidiano, em que os seres humanos se relacionam e acabam por cometer erros decorrentes desse relacionamento – e devem ser os próprios homens a resolvê-los. Diz-se: “As transgressões que vão de homem a homem não são expiadas pelo Yom Kipur, se antes não forem perdoadas pelo próximo.”  Assim, deve-se pedir o perdão do semelhante, pois se não for dado, nem mesmo Deus poderá intervir. Já a segunda categoria é o segredo da consciência – o relacionamento direto com a alma e, consequentemente, com Deus.

Muitos devem estar se perguntando o que eu, que não sou judia, estou fazendo ao escrever um post tão detalhado sobre o Yom Kipur. E para todos eu respondo que não é a religião em si que me chama a atenção aqui, mas o significado de cada pequeno ato envolvido, sua beleza pura e intríseca.

É difícil entender o que acontece dentro ou perto das fronteiras onde nasceu o povo judeu. Eu mesma, sendo sincera, muitas vezes me sinto indignada pelo banho de sangue que se vê nas telas dos noticiários. Mas é preciso parar e se distanciar para ver a verdade. Estamos a quilômetros de distância. Vivemos em uma cultura completamente diferente que nos impede de interpretar os acontecimentos à luz do conhecimento da origem [tão ancestral] dos conflitos que por ali devastam vidas.

A minha torcida, neste dia tão especial e sagrado, é que o perdão aconteça cada dia menos. Não por falta de perdoarmos os erros, mas pela falta dessas transgressões que necessitam ser esquecidas. Que o homem tente trazer realmente esse despertar, essa atenção para o que faz ou diz [a língua é a mais afiada das facas], para o agora. Que se pare e pense antes. Que se procure pela paciência e, ao encontrá-la, se pratique cada dia mais e mais. Assim poderemos passar a celebrar o Yom Kipur apenas por sua beleza etérea e seu simbolismo puro. A energia de se “estar no bem” e a ele nunca mais precisar retornar – pois ele será o agora.

por amor ao futuro

Ontem foi o dia da árvore, hoje é o Dia Mundial Sem Carro e começa a Primavera – a [na minha modesta opinião] mais bela estação do ano.

A pergunta que me fica martelando a cabeça é [mais uma vez]: porque nomear dias para ações e seres que merecem nossa atenção continuamente. Será que em todos os outros dias do ano as árvores, coitadinhas, não têm vez em nossa sociedade? Será que se encerram os pensamentos sobre como construir um mundo melhor, sem tantos carros, com mais metrôs, bicicletas, flores, ar respirável?

É difícil ter esperança em um país em que o próprio Senado Federal [que deveria estar lá para nos proteger] nos rouba descaradamente, separando somente para si aquilo o dinheiro que deveria estar transformando a realidade cruel de tantos brasileiros.

Essa angústia que nos toma não pode, entretanto, nos impedir de continuar caminhando em direção a um horizonte mais azul. É preciso fazer algo, todos os dias, mesmo que pequeno, mesmo que seja somente você a ver e perceber aquela ação que parece tão sem importância quanto não jogar lixo pela janela do carro [sim, acreditem, ainda tem MUITA gente que faz isso por aqui...], reciclar tudo o que for possível, não despejar óleo de cozinha usado nos ralos.

Viver de forma mais consciente e responsável pode até ser chato, mas é mais saudável para todos e, no final, extremamente recompensador. O mundo é muito mais simples do que queremos acreditar. Faz parte do ser humano complicar, tornar tudo mais complexo do que precisa realmente ser. Quando todos investirmos um pouco mais de nosso precioso tempo para procurar essa verdade dentro de nós, talvez se acenda uma luz lá no final do túnel e fiquemos menos cegos para o que importa.

pedala!

Domingo de manhã cedinho e o sol despontava finalmente no horizonte. Eu, já devidamente ‘paramentada’, aguardava o horário de abertura da primeira ciclofaixa da cidade de São Paulo, no seu terceiro fim de semana de vida. No primeiro, já sabendo da animação da inauguração, decidi ficar em casa – mais de 10 mil pessoas percorreram os cerca de seis quilômetros da faixa que liga o Parque das Bicicletas, na região do Ibirapuera,  ao Parque do Povo, no Itaim Bibi.

No segundo, no meio do feriado prolongado da Independência, a chuva insistente fez com que meus planos ciclísticos fossem, literalmente, por água abaixo! Esperei mais uma semana, torcendo pela melhora das condições metereológicas, para que ninguém resolvesse marcar alguma sessão fotográfica de emergência ou qualquer coisa parecida.

Segui para a ciclofaixa tão cedo que, quando cheguei, éramos eu e o efetivo da Companhia de Engenharia de Tráfego [CET] da cidade somente. Posso dizer que valeu cada segundo longe da minha confortável cama, nesse que é o dia oficial da semana para viver preguiçosamente e dormir mais algumas horas.

Fiquei tão animada que fiz o trajeto de ida/volta quatro vezes [o pessoal de monitoramento já me cumprimentava, dava risadinhas e desejava bom passeio...]. O único registro triste da minha experiência foi testemunhar um carro que parou em um dos trechos mais tranquilos para que seus ocupantes, na maior cara de pau, ’surrupiassem’ um dos cones que limitavam o acesso à faixa exclusiva. Mas eles devem ter se arrependido da brincadeira quando o guarda da CET parou o veículo no semáforo, alertado pelos cidadãos honestos e indignados que viram a cena insólita [que nos fez lembrar de Brasília, do Senado, dos Atos Secretos etc...].

Quando estava me despedindo do meu passeio, à caminho de casa, me senti como quando era pequena [tudo bem, faz tempo!], pegava minha ‘Monark’ e saia pedalando em direção à casa de minha amiga Hevellyn, sem pensar em trânsito insano, falta de segurança, poluição. E, pasmem!, minha mãe ficava tranquila em casa, esperando por vários minutos até que eu, sem pressa, chegasse ao meu destino e discasse [lembram disso???] para casa para avisá-la…

Que bom que ainda podemos ter a esperança de que, pelo menos no que se refere aos passeios tranquilos de bicicleta, as coisas possam mudar para melhor!