pedala!

Domingo de manhã cedinho e o sol despontava finalmente no horizonte. Eu, já devidamente ‘paramentada’, aguardava o horário de abertura da primeira ciclofaixa da cidade de São Paulo, no seu terceiro fim de semana de vida. No primeiro, já sabendo da animação da inauguração, decidi ficar em casa – mais de 10 mil pessoas percorreram os cerca de seis quilômetros da faixa que liga o Parque das Bicicletas, na região do Ibirapuera,  ao Parque do Povo, no Itaim Bibi.

No segundo, no meio do feriado prolongado da Independência, a chuva insistente fez com que meus planos ciclísticos fossem, literalmente, por água abaixo! Esperei mais uma semana, torcendo pela melhora das condições metereológicas, para que ninguém resolvesse marcar alguma sessão fotográfica de emergência ou qualquer coisa parecida.

Segui para a ciclofaixa tão cedo que, quando cheguei, éramos eu e o efetivo da Companhia de Engenharia de Tráfego [CET] da cidade somente. Posso dizer que valeu cada segundo longe da minha confortável cama, nesse que é o dia oficial da semana para viver preguiçosamente e dormir mais algumas horas.

Fiquei tão animada que fiz o trajeto de ida/volta quatro vezes [o pessoal de monitoramento já me cumprimentava, dava risadinhas e desejava bom passeio...]. O único registro triste da minha experiência foi testemunhar um carro que parou em um dos trechos mais tranquilos para que seus ocupantes, na maior cara de pau, ’surrupiassem’ um dos cones que limitavam o acesso à faixa exclusiva. Mas eles devem ter se arrependido da brincadeira quando o guarda da CET parou o veículo no semáforo, alertado pelos cidadãos honestos e indignados que viram a cena insólita [que nos fez lembrar de Brasília, do Senado, dos Atos Secretos etc...].

Quando estava me despedindo do meu passeio, à caminho de casa, me senti como quando era pequena [tudo bem, faz tempo!], pegava minha ‘Monark’ e saia pedalando em direção à casa de minha amiga Hevellyn, sem pensar em trânsito insano, falta de segurança, poluição. E, pasmem!, minha mãe ficava tranquila em casa, esperando por vários minutos até que eu, sem pressa, chegasse ao meu destino e discasse [lembram disso???] para casa para avisá-la…

Que bom que ainda podemos ter a esperança de que, pelo menos no que se refere aos passeios tranquilos de bicicleta, as coisas possam mudar para melhor!

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