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	<title>BLOG DA MO &#187; perdoar</title>
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	<description>IDÉIAS SÃO BEM-VINDAS. AMARELAS, PRETAS, COR-DE-ROSA, LISTADAS, NÃO IMPORTA. SÃO ESSENCIAIS PELO SIMPLES – E IMPORTANTE – MOTIVO DE NOS TRANSFORMAR EM QUEM SOMOS. SERES ÚNICOS. EU SOU MO MARCH.</description>
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		<title>yom kipur: a beleza da celebração judaica</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 21:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mo march</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As comemorações do Yom Kipur &#8211; o feriado judaico que celebra o perdão e que, para mim, é um dos mais bonitos do mundo &#8211; começaram ontem, com o jejum de 25 horas, e se estendem pelo dia de hoje.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>As comemorações do <em>Yom Kipur</em> &#8211; o feriado judaico que celebra o perdão e que, para mim, é um dos mais bonitos do mundo &#8211; começaram ontem, com o jejum de 25 horas, e se estendem pelo dia de hoje.</p>
<p>Muita gente que não entende a profundidade presente nos atos simbólicos dos judeus durante essa celebração ou não conhece sua origem, vê as proibições impostas pelo ritual &#8211; como não comer, não ter relações sexuais, não passar desodorantes, perfumes ou tomar banhos por prazer &#8211;  apenas como autoprovação, como martírio. Injustiça com a beleza implícita nesse ato de fé.</p>
<p>O objetivo de se proibir tais atos é exatamente afligir o corpo &#8211; voltando-se a atenção totalmente à alma. O povo judaico acredita que o ser humano é constituído pelo <em>yetzer hatóv</em> [<em>desejo de fazer as coisas corretamente, a alma</em>]  e o <em>yetzer hará</em> [<em> desejo de seguir os próprios instintos, o corpo</em>]. Nosso desafio na vida é sincronizar o segundo com o primeiro. O Talmud faz uma analogia sobre isso entre cavalo [corpo] e cavaleiro [alma]: &#8220;É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo&#8221;.</p>
<p>Na verdade, o <em>Yom Kipur</em> é o fechamento de um processo longo, pois é sensato pensar que não é possível se arrepender realmente em pouco mais de um dia. As pessoas cometem muitos erros [<em>voluntários ou não</em>] em um ano e para que se &#8220;retorne ao bem&#8221; &#8211; tradução literal da <em>teshuvá,</em>  nome do processo de arrependimento &#8211; se reserva todo o último mês do ano judeu, o Elul, segundo a tradição.</p>
<p>É durante o Elul que as pessoas se preparam para a reflexão profunda que leva até o caminho interior, da alma. Para lembrar a todos, pela manhã logo cedo, o <em>shofar</em> [<em>instrumento de sopro considerado sagrado pelos judeus</em>] chama o povo para esse despertar. E, acordar, aqui, tem um significado muito maior do que sair da cama para iniciar o dia. O toque do <em>shofar </em>é um mandamento da <em>Torá</em> &#8211; o livro sagrado &#8211; e como preceito da fé judaica deve ser precedido de uma bênção especial, em agradecimento a <em>D&#8217;us. </em>É um preparo, um chamado, para que os atos não sejam realizados apenas pela força do hábito, mas de forma consciente, conhecendo seu significado e a quem se responderá por eles.</p>
<p>Uma semana antes de<em> Rosh Hashaná</em> &#8211; o ano novo judeu &#8211; também na madrugada se iniciam orações, chamadas <em>selichot </em>[<em>perdões</em>]. O dia 1 de <em>Tishrei</em> é a grande data &#8211; a base para um novo ano de vida &#8211; que é seguido de outros nove dias &#8211; até o <em>Yom Kipur</em>. Dez dias para seguir em direção a sua alma, ao seu mais profundo eu, afastando o mal e caminhando para o bem.</p>
<p><em>Kipur</em>, na raiz da língua hebraica, se refere ao &#8220;que cobre&#8221;, o castigo que envolve o ato perverso ou incorreto. É impossível apagar aquilo que já aconteceu, assim a única maneira de superá-lo é a modificação da conduta pessoal depois que ele já aconteceu. &#8220;Deus pode apagar o castigo, não o ato&#8221;. Traduzindo, o que se fez, continua com você e as consequências sob sua responsabilidade.</p>
<p>O interessante é que as más ações têm, efetivamente, duas categorias: do homem em relação ao próprio homem e do homem em relação a Deus. A primeira traz a vida diária, do cotidiano, em que os seres humanos se relacionam e acabam por cometer erros decorrentes desse relacionamento &#8211; e devem ser os próprios homens a resolvê-los. Diz-se: &#8220;As transgressões que vão de homem a homem não são expiadas pelo<em> Yom Kipur</em>, se antes não forem perdoadas pelo próximo.&#8221;  Assim, deve-se pedir o perdão do semelhante, pois se não for dado, nem mesmo Deus poderá intervir. Já a segunda categoria é o segredo da consciência &#8211; o relacionamento direto com a alma e, consequentemente, com Deus.</p>
<p>Muitos devem estar se perguntando o que eu, que não sou judia, estou fazendo ao escrever um post tão detalhado sobre o <em>Yom Kipur</em>. E para todos eu respondo que não é a religião em si que me chama a atenção aqui, mas o significado de cada pequeno ato envolvido, sua beleza pura e intríseca.</p>
<p>É difícil entender o que acontece dentro ou perto das fronteiras onde nasceu o povo judeu. Eu mesma, sendo sincera, muitas vezes me sinto indignada pelo banho de sangue que se vê nas telas dos noticiários. Mas é preciso parar e se distanciar para ver a verdade. Estamos a quilômetros de distância. Vivemos em uma cultura completamente diferente que nos impede de interpretar os acontecimentos à luz do conhecimento da origem [<em>tão ancestral</em>] dos conflitos que por ali devastam vidas.</p>
<p>A minha torcida, neste dia tão especial e sagrado, é que o perdão aconteça cada dia menos. Não por falta de perdoarmos os erros, mas pela falta dessas transgressões que necessitam ser esquecidas. Que o homem tente trazer realmente esse despertar, essa atenção para o que faz ou diz [<em>a língua é a mais afiada das facas</em>], para o agora. Que se pare e pense antes. Que se procure pela paciência e, ao encontrá-la, se pratique cada dia mais e mais. Assim poderemos passar a celebrar o <em>Yom Kipur</em> apenas por sua beleza etérea e seu simbolismo puro. A energia de se &#8220;estar no bem&#8221; e a ele nunca mais precisar retornar &#8211; pois ele será o agora.</p>
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